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"Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis."
Brecht

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

As soluções de um governador "tampão"

Ao anunciar a contratação de "professores tampões", para substituir temporariamente nas turmas de 3º ano os profissionais que estão em greve, o governo de Minas atestou seu descaso com a educação, seu descompromisso com a juventude e com o ensino público.

Basta um mínimo de senso crítico para saber que se o governo quisesse resolver o problema da greve era tão somente cumprir uma lei federal, e implantar no estado o Piso Salarial Nacional. Essa medida acabaria com a greve em todos os níveis de ensino e traria a normalidade a todas as escolas do estado, não somente no terceiro ano do Ensino Médio.  Ao contrário,  o governador Anastasia prefere  assumir uma postura belicosa e beligerante. Prefere travar uma queda de braço com os professores sem objetivo de acordo, o único objetivo é derrota-los.

Dessa forma, o governo de Minas coloca em risco o ano letivo dos alunos do primeiro ao nono ano do ensino fundamental , bem como, do primeiro ao terceiro ano do ensino médio. É fato, o terceiro ano do ensino médio também está comprometido. Alguém acha que o governo irá encontrar 3 mil professores de uma hora para outra? Além disso, todos sabemos que a maioria das contratações serão de pessoas sem formação específica para lecionar as disciplinas que serão cobradas nos vestibulares e no ENEM.
Não se iludam! O governo mais uma vez passa um verniz na situação. Passa a imagem de normalidade, mas na verdade faz apenas uma maquiagem. O triste é que podem haver pais e alunos aplaudindo isso. Coitados! Mais uma vez vítimas de um governo sorrateiro e enganador.
Ficam alguns questionamentos: e os alunos do primeiro ao nono ano do ensino fundamental? E os alunos do primeiro e segundo ano do ensino médio? Continuarão sem aulas apenas por um capricho do governador? Onde estão os pais que não vão cobrar isso do estado? Onde está a Federação de Pais que cobra o fim da greve, mas não se posicionou quando o estado retirou disciplinas fundamentais da grade curricular do Ensino Médio? Será que a Federação de pais representa apenas o terceiro ano do ensino médio? Porque ninguém ainda falou que o presidente da tal federação de pais sequer tem filhos em escola pública?
Hoje na Assembleia Estadual dos Trabalhadores em Educação, vimos muitos alunos e também pais de alunos pegando o microfone para expressarem seu apoio aos professores em greve. São pessoas conscientes que não deixaram de falar do prejuízo que a greve traz aos alunos, mas que entenderam que o grande algoz da escola pública que compromete o futuro da juventude mineira é o governo de Minas. Isso porque é um governo que desrespeita a educação e aos educadores, trata com descaso o ensino e não resolve um problema fundamental do ensino público, a remuneração do professor.

As "soluções"apresentadas pelo governador, podem no máximo atentar contra essa greve, mas, se não houver solução definitiva os próximos anos serão de greves e mais greves. E aí? Contrataremos tampões todos os anos? Os alunos perderão dois meses de aula todos os anos?
É preciso que a sociedade avalie o que de fato quer para os seus filhos e  para a juventude. Se um futuro certo com bases sólidas, ou apenas tampões, castelos de areia. 

Por: Adriano de Paula

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A realidade do Ensino Médio em Minas Gerais

Os trabalhadores em educação e o Sind-UTE/MG fazem uma denúncia: os problemas da rede estadual de Minas Gerais vão além dos baixos salários enfrentados pelos profissionais da educação. Uma breve análise do Censo Escolar revela uma situação pouco discutida, mas preocupante. Está em curso uma política de diminuição sistemática do funcionamento das escolas estaduais.  Analisando o período de 2005 a 2011, o Censo Escolar aponta um decréscimo do número de escolas estaduais em atividade de 4%.
Além disso, se todos os adolescentes mineiros quisessem estudar no ensino médio ofertado pela rede estadual não haveria vagas. Neste momento há um déficit de 884.470 mil vagas.
A matriz curricular determinada pelo Estado impõe que o aluno tenha que optar a partir do 2º ano por estudar apenas 8 disciplinas em detrimento das 12 disciplinas, privilegiando uma área do conhecimento em detrimento da outra. Além disso, existem pessoas sem formação atuando como professores no ensino médio.
Ocorrem fusões de turma e não é autorizada a contratação de professores, sendo que os professores que compõe a equipe são obrigados a assumir disciplinas sem ter a formação específica.  Como não bastasse, faltam professores de matemática, física e química na rede estadual.
Quando o professor adoece e sai de licença médica, a maioria das vezes ele não é substituído. “Queremos o Governador preocupado com o Enem e com o Ensino Médio durante todo o ano letivo e não apenas durante a nossa greve”, afirma a direção do Sind-UTE/MG.
 Fonte: www.sindutemg.org.br
Acesso em: 08/08/2011

Severiano Alves fala sobre o Piso Nacional dos Professores

Minas do improviso, é preciso solução

Hoje o portal UAI, destacou a seguinte notícia: " Professor substituto pode ser salvação". A matéria trazia a fala da secretária de educação,  que acusava o sindicato de intransigência nas negociações. Trazia também a fala de alguns pais e alunos reclamando dos prejuízos. Para solucionar o problema a secretária Ana Lúcia Gazzola disse  está estudando judicialmente medidas para minimizar o prejuízo aos alunos.
Algumas questões precisam de reflexão. Primeiro, quando o governo fala em intrasigência do sindicato, não está  ligando o nome a pessoa. Estou acompanhando a greve desde a sua deflagração e o que vi até o momento foi o governo em uma posição extremamente intransigente, dizendo que  não negociaria com grevistas. Em 62 dias de greve apenas duas reuniões de negociações foram feitas, isso após muita pressão da categoria. Mesmo assim, nas reuniões a secretária insistia em dizer que não negociava o Piso Nacional, motivo primeiro da greve, visto que é uma lei federal que Minas  ignora. 
Desta forma,  não há como se falar em intransigência do sindicato, mas em incoerência da secretária. Desde o início, a estratégia do governo em relação a greve foi de ignora-la e não reconhecer como problema Por isso a greve se estendeu tanto. Irresponsabilidade do senhor Anastasia e sua trupe.
A greve prejudica alunos, prejudica também aos professores que estão sem os salários e também farão a reposição aos sábados feriados e férias. Portanto, ninguém está brincando de fazer greve. Se a categoria insiste no movimento, certamente não é para se divertir. Afinal, qual trabalhador vai querer perder seus salários e suas férias?
No que diz respeito a substituição de grevistas, o governo sabe que não pode faze-lo. A lei é clara em dizer que trabalhador em greve não poderá ser substituido. O governo encomendou a matéria no jornal exatamente para tentar maquiar a situação e colocar os pais contra os professores, tenta com isso transferir aos professores uma responsabilidade que exclusiva do governo estadual. Um mínimo de senso crítico porém,   revela que um governo que demora 50 dias para iniciar o diálogo com a categoria em greve, é no mínimo irresponsável. Sem falar que nenhum trabalhador, pai de família pensa em receber um vencimento básico de 369,00 e de 550,00. Porque o professor tem que receber calado? Professor também tem família, não é mesmo? É preciso lembrar-se disso.
Para contratar professor substituto, primeiramente  a greve  precisaria ser declarada ilegal, só aí, talvez, poderia seguir a contratação. Fora isso, nada poderia ser feito. Mais uma manobra desse governo imundo. É preciso estar atento. O governo está pressionado e tenta passar essa pressão para os professores. Os trabalhadores em educação não podem aceitar isso, ou o governo implanta o piso, ou vai ter que arcar com o ônus das escolas paradas.
Lamentamos o fato dos alunos estarem prejudicados em função da paralisia do governador Anastasia. Porém, infelizmente, a greve é  única forma que os educadores tem para tentar sair da miséria que esse governo os impõe. É importante lembrar que estamos falando de trabalhadores com nível superior recebendo vencimentos básicos de R$550,00, quando existe uma lei que proibe tal situação. 
A luta dos professores deveria ser de toda a sociedade, pois uma escola com profissionais na miséria, não tem qualidade, é apenas engôdo, é maquiagem.
O governo fala em contratar substitutos, mas todos sabemos que hoje faltam professores no estado, assim como no Brasil. De onde virão os substitutos? É claro que serão estudantes e talvez,  profissionais de outras áreas que se aventurarão ensinando os filhos da população que depende da escola pública. Será que é isso que os pais querem? "Professores" tampões? "Professores" que não são professores? Será que isso também não prejudica quem vai prestar vestibular? A tal federação de Pais, encabeçada pelo senhor Mário de Assis não vai se manifestar quanto a isso? Acho que não. Até porque a tal federação só aparece em períodos de greve. Se omitiu quando o governo retirou matérias do ensino médio e em outras situações cruciais na vida no nosso alunado. 
Talvez o melhor, mais eficaz e mais simples, fosse o governo sentar com os grevistas e negociar o pagamento do piso, logo, o cumprimento da lei.  Certamente, essa última deveria ser a atitude de um governo que prima pela educação.  Não é o caso do governo de Minas, que mais uma vez mostra como trata a educação e a escola pública: com improviso e com descaso. 
É preciso por fim a greve, mas com soluções para o caos da escola pública e dos salários dos professores. Não com mentiras, manobras e "vernizes". É preciso solução. Sem isso greves acontecerão todos os anos, rotineiramente. Queremos solução, queremos o cumprimento da lei 11.738/08. Queremos o piso salarial nacional da educação.

Por:  Adriano de Paula

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O momento é de continuidade da Greve

A demora do Governo de Estado em estabelecer um processo de negociação que modifique o vencimento básico é uma estratégia que explicita a forma de gestão que enfrentamos.
Lidar com movimento organizado seja ele social ou sindical é muito trabalhoso e não é possível estabelecer um controle dele. Por isso enfraquecê-lo, desacreditá-lo como interlocutor da categoria é importante para que não seja um ator no cenário, para que não pressione e portanto não interfira na forma de gestão.
Por isso, para o governo é preciso punir a categoria de modo a mostrar que a organização é uma afronta intolerável. Nesta situação se enquandram o corte de pagamento, a suspensão de ferias-prêmio e o adiamento da posse das novas direções de escola que vivemos neste momento.
Em 2012, haverá eleições, portanto restrições no que diz respeito à política salarial. Por isso a luta precisa conquistar o Piso Salarial este ano.
Não há motivos para o retorno às aulas neste momento. Precisamos conquistar o Piso Salarial.
Por isso a greve continua por tempo indeterminado.
O recuo neste momento não garante o salário, nem as férias-prêmio. É preciso fortalecer ainda mais o nosso movimento e intensificar o retorno à remuneração de vencimento básico. É ela que possibilitará o pagamento do Piso Salarial.
ATO EM DEFESA DO PISO
A escadaria da Igreja São José foi o palco da nossa 1a. manifestação no segundo semestre.
O Ato reunião movimento sindical, social e político em defesa da nossa greve e da nossa luta pelo Piso Salarial.
Foi uma ação muito importante porque demonstrou que nã estamos isolados e pudemos aglutir vários movimentos em torno de questão tão sagrada como é a educação. Entre tantas entidades e autoridades presentes, cito algumas:
- Internacional da Educação (IE);- Bloco Minas sem Censura (Rogério Correia e Elismar Prado);- Deputado Federal Padre João;- Presidente Nacional do PSTU, Zé Maria;- o MST;- o Sindeletro;- CUT Nacional (Vagner Freitas);- CUT MG;- CTB;- SindRede;- Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas
- Marcha Mundial das Mulheres;- CNTE (Marta Vaneli, Secretária Geral);- Sindicato dos Metroviários
e várias outras entidades.
Os estudantes de São José da Lapa estiveram presentes em nossa assembleia manifestando apoio à categoria.
 
Fonte: Blog da Beatriz Cerqueira 
http://blogdabeatrizcerqueira.blogspot.com/

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Professores de Minas publicam contracheques para provar que estado é PSDB


* PIOR SALÁRIO DO BRASIL
por Luiz Carlos Azenha
Depois de uma campanha midiática em que o governador Antonio Anastasia sugeriu que os professores em greve estavam mentindo sobre os salários pagos a eles pelo governo de Minas Gerais, os profissionais de Educação do estado decidiram publicar os contracheques e encaminhar um kit-salário para os jornais e outros meios de comunicação do estado.
Conversei com Beatriz Silva Cerqueira, a Bia, do Sindicato Único dos Trabalhadores de Educação em Minas Gerais, o SINDUTE. E, pelo que ela contou, existe um tremendo esqueleto no armário do atual senador e provável candidato ao Planalto, Aécio Neves, esqueleto agora administrado por Anastasia: o choque de gestão.
Mas, antes do esqueleto, a greve: a paralisação atinge, por decisão da Justiça, apenas 50% dos 380 mil trabalhadores em educação de Minas, em todas as regiões do estado.  Ela foi deflagrada, como a greve de Santa Catarina (onde os professores acreditam ter obtido uma importante vitória política), para garantir a implementação do Piso Salarial do Magistério, que é federal e foi considerado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal em abril deste ano (valor atual de R$ 1.187,00).
Hoje, em Minas, o professor que tem ensino médio ganha R$ 369,00 mensais de salário inicial; o professor com licenciatura plena, R$ 550,00.
Segundo Bia Cerqueira, este ano o governo Anastasia, a partir de uma lei estadual, decidiu aglutinar todas as parcelas que compõem o contracheque dos servidores em um subsídio, que os professores rejeitam considerar como piso salarial, mas sim o total da remuneração.
A adoção do subsídio, segundo Bia, provoca — entre outras coisas — o nivelamento da categoria entre os professores que tem 20 anos de carreira e os que estão começando agora. Uma situação parecida aconteceu em Santa Catarina.
A greve é por um piso salarial de R$ 1.597,00 para os professores de nível médio com jornada de 24 horas.
Bia Cerqueira diz que a política salarial de Minas Gerais em relação aos professores é de “controle” da remuneração, o que seria um dos princípios do “choque de gestão”, que começou a ser implantado pelo ex-governador Aécio Neves. “Você pode demorar 8 anos para começar a receber por uma pós-graduação que tenha feito, você pode demorar de 20 a 25 anos para receber por um mestrado”, ela exemplifica.
“O governo controla a remuneração [dos servidores] para que possa investir em outras áreas que dão retorno melhor para ele”, disse ela, provavelmente se referindo a retorno eleitoral.
Bia inicialmente não entendeu a minha piada: o choque de gestão, disse eu, teria sido de 220 volts, bem na veia do professorado!
Aliás, ela acredita que o tal choque fracassou redondamente. Três exemplos:
* Faltam 1,5 milhão de vagas no ensino básico em Minas Gerais;
* A média de escolaridade do mineiro é de 7,2 anos;
* No vale do Jequitinhonha, a média de escolaridade é de apenas 6,2 anos.
Além disso, o programa que é orgulho do atual governador, Antonio Anastasia, o Professor da Família, para dar apoio a alunos do ensino médio, é bastante precário.
* Por enquanto, atinge 9 dos 853 municípios de Minas Gerais, ou apenas 22 das 4 mil (eu disse quatro mil) escolas;
* Os professores contratados para implementar o programa, que visa dar aulas de reforço para alunos do ensino médio, têm formação de ensino médio, o que contraria a Lei de Diretrizes Básicas da Educação Nacional, que exige licenciatura plena.
“Os projetos não correspondem à realidade do estado de Minas Gerais”, diz ela.
Duas grandes dificuldades enfrentadas neste momento pelos grevistas: boicote ativo ou desprezo da mídia local e a postura do Poder Judiciário de Minas Gerais que, segundo a Bia, nunca decide em favor dos educadores.

Fonte: Viomundo - o que você não vê na mídia / por Luíz Carlos Azenha
Acesso: http://www.viomundo.com.br/denuncias/professores-de-minas-publicam-contracheques-para-provar-que-estado-e-psdb.html

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O governo na berlinda!!!

O governo de Minas fez um verdadeiro bombardeio neste final de semana. Sabendo que o recesso escolar acabou na última sexta feira, o governo não exitou em gastar rios de dinheiro com a mídia impressa e também na TV, veiculando um comunicado mentiroso que objetivava  atacar o sind-UTE  e  colocar a população contra os professores em greve. 

A greve da educação faz hoje 53 dias, e o governo tentou desde o dia 08 de junho, data de início do movimento, negar que a greve acontecia. Durante todo esse tempo a estratégia era negar o movimento ou minimiza-lo. Ao que tudo indica não deu certo. Caso contrário, o governo não teria feito tal bombardeio na mídia atacando uma greve "inexistente" ou uma greve "fraca".  Confesso que foi irritante assistir  na TV o comunicado desaforado e mentiroso do governo de Minas. Mas,  por outro lado, foi também prazeroso perceber que o governo já mostra sinais claros do seu desgaste com o movimento. E mais, mostra o seu desespero frente uma categoria que mobilizada se recusa a abaixar a cabeça para mais um "assalto" desse governo contra a educação. 

Todos sabemos que o governo de Minas não paga o Piso Salarial Nacional, nem na sua integralidade como manda a lei, e sequer na sua proporcionalidade, como ele insiste e dizer que deva ser. O governo faz o seu papel sujo,  tentando omitir a verdade à população. Fala, fala, fala, mas não pode provar nenhuma das suas afirmações. Não prova porque não são verdadeiras. Diferentemente, nós, educadores estaduais em greve, quando falamos que o governo não paga  Piso Salarial Nacional podemos provar através dos nossos  contracheques. 

CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR
Minas paga a um professor com nível médio de escolaridade R$369,00 e a um professor com nível superior R$550,00. Esses são os pisos salariais dos educadores mineiros, e isso nós podemos provar. Desafio a secretária de educação Ana Lúcia Gazzola e a secretária  de Planejamento Renata Vilhena a provarem que meu piso é maior que esses valores. Podemos não ter dinheiro para pagar propagandas e comunicados mentirosos na TV, como o governo fez neste final de semana, mas disponibilizamos nossos contracheques que provam as mentiras do senhor Anastasia.  

Hoje, à meia noite, os contracheques dos servidores da educação foram disponibilizados no portal do servidor. Esperei ansiosamente para consulta-lo, e como já esperava,  pude comprovar que os salários foram cortados. Isso mesmo, metade do meu salário foi cortando em função da greve. Se estou preocupado? Sim, afinal com esse salário de fome não é possível sequer poupar para uma emergência. Mas, se esse for o preço a ser pago para que eu resgate minha dignidade como educador, eu estou disposto a pagar. Não é possível  pautar uma carreira de 30 anos,  em um mês de salário.Este é um momento crucial na vida de todo educador estadual em Minas Gerais. Ou conquistamos o piso agora, ou lamentaremos essa derrota pelos próximos anos.

Quero convidar a todos os colegas a reforçarem essa atitude. Começamos juntos uma greve no dia 08 de junho, uma greve com  um objetivo claro. Só faz sentido sair da greve quando esse objetivo for alcançado. Voltar para escola  não traz o salário de volta. A única  possibilidade de reaver  o nosso pagamento, é manter a mobilização forte para negociarmos a devolução dos  salários. Sem mobilização voltaremos enfraquecidos, sem piso e sem salário. Me recuso a me dobrar a essa chantagem baixa e injusta do governo de Minas. Me recuso a jogar fora 53 dias de greve, virando as costas e voltando para a escola simplesmente. Iniciamos a luta, agora é lutar até o fim. Lembrando sempre que  sem salário, não haverá reposição. 

Pela nossa dignidade. Não vamos deixar que o governo faça com a nossa categoria o que ele bem entender. Não adianta convocar para a escola. Quem define se a greve continua, ou não, somos nós, os trabalhadores em educação. E se o governo de Minas pretende por fim a greve, que o faça, mas não ameançando e cortando salários. Que o faça com moralidade e na legalidade,  cumprindo a lei e pagando o Piso Salarial Nacional da Educação. É lei, é direito e nós merecemos. 

Por: Adriano de Paula

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