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"Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis."
Brecht
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domingo, 18 de setembro de 2011

Greve dos professores Mineiros e a Copa do Mundo - Por: Senador Cristovam Buarque

Nota de Esclarecimento

Na tarde dessa sexta-feira, 16 de setembro, o Sind-UTE/MG foi notificado da decisão do Desembargador, Roney Oliveira, na Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais.

O Desembargador concedeu parcialmente a tutela antecipada determinando a suspensão do movimento grevista, coordenado pelo Sind-UTE/MG, com o imediato retorno dos grevistas às suas atividades laborais, sob pena de multa gradativa de R$20.000,00 pelo primeiro dia de continuidade do movimento (19/09), de R$30.000,00 pelo segundo dia (20/09); R$40.000,00 pelo terceiro dia (21/09) e R$50.000,00 pelos dias subseqüentes, limitado o montante da pena a R$600.000,00.


Diante desta decisão, o Sind-UTE/ MG faz os seguintes esclarecimentos:

1) A greve não foi julgada ilegal. A decisão do Desembargador é pelo retorno imediato, não havendo pronunciamento sobre a legalidade do movimento.

2) De acordo com o Desembargador, “a extensa duração do movimento grevista traz grave prejuízo aos alunos da rede pública, às voltas com a iminente e possível perda do ano letivo, o que tipifica o movimento como abusivo, na forma do art. 14, da Lei 7.783/89". A decisão do Desembargador teve como fundamento a duração do movimento. No entanto, no dia 05 de julho, o Sind-UTE/MG ajuizou a Medida Cautelar No. 0419629-72.2011.8.13.0000, cujo relator também é o Desembargador Roney Oliveira. Nesta Medida Cautelar, salientamos a competência e a função judicial do Tribunal de Justiça, equiparado à do Tribunal Regional do Trabalho, para intermediar a solução do movimento de greve. Nesta ação, pedimos que o Tribunal de Justiça convocasse as partes (Sind-UTE/MG e Governo do Estado) para uma audiência de conciliação. Isto quer dizer que há 70 dias o Sindicato recorreu ao Tribunal de Justiça para evitar prolongamento da greve diante do impasse com o Governo do Estado. Mas, diferente da atuação na Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público, não houve decisão ao pedido feito pelo Sind-UTE/MG.

3) O Sind-UTE/MG recorrerá desta decisão, que é provisória, e apresentará nesta segunda-feira, dia 19/09, uma Reclamação junto ao Supremo Tribunal Federal, visto que além de desconsiderar a Lei Federal 11.738/08, desconsidera também a Lei Federal 7.783/89 que regula o direito de greve.

4) A greve, conforme decisão da categoria em Assembleia realizada dia 15 de setembro, continua por tempo indeterminado e não será suspensa em função desta decisão judicial.

5) Lamentamos o papel exercido pelo Ministério Público Estadual que se omitiu em relação à contratação de pessoas sem formação para atuar nas salas de aula, em relação ao não investimento em educação, por parte do Governo do Estado, do mínimo previsto na Constituição Federal. Ele não zelou pelo cumprimento de uma lei federal no Estado de Minas Gerais e se posicionou claramente a favor do Governo do Estado.
 
Fonte: Blogdabeatrizcerqueira.blogspot.com

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Com amor se paga?

Há palavras vulgares e há palavras comuns. Coincidem, às vezes. “Porra”, por exemplo, não se diz na missa, mas é inevitável quando cai pela terceira vez aquela ligação 0800 após uma longa espera para ser atendido. Há outras que, embora de uso corrente, têm sentido sublime e, porque são sublimes, vulgarizam-se facilmente pelo uso comum. Preciosas, mereciam ser mais poupadas, como fazem com elas os mais sensatos.
A palavra “Amor” talvez seja a mais castigada de todas elas. Fácil de pronunciar, muita responsabilidade atribui a quem o sente. Tão distante está de ser compreendida, embora nos habite tão intimamente o seu mistério. Outro dia, ouvi o governador Cid Gomes falar de amor. Chamou minha atenção porque é raro observar esta palavra na fala de um político. Muito raramente mesmo encontram lugar para ela em seu discurso.
Por mais elástica sua capacidade de adulterar o sentido das coisas quando falam, os políticos parecem tomados de um inusitado pudor quando a evitam, o que é sensato: não parece mesmo verossímil na boca deles. A palavra “amor”, o governador usou da pior maneira: para humilhar as pessoas – educadores, no caso. Nada mais paradoxal do que o esforço de conciliar humilhação e amor na mesma oração.
Para justificar as compensações precárias que seu governo está podendo oferecer no momento aos professores em greve – eis o contexto – ele disse que quem entra no serviço público não o faz por dinheiro, mas por amor. Ora, homem, nos poupe do seu evangelho de ocasião! É evidente que nenhum professor desprovido de vocação, amor pela missão que abraçou, pode mesmo formar uma geração de bons cidadãos.
Mas é imprescindível à verdade mais rasa acrescentar ao que você falou um detalhe que muda de tal maneira a qualidade do que disse que melhor seria se tivesse evitado se expor assim, pilhado numa sandice. É que, para servir com a devoção que você cobra, os educadores, além de amor, precisam ir às salas de aula com a tranquilidade de ter deixado em casa os filhos alimentados e bem vestidos. Afinal, isso também é amor.
Os educadores não estão exigindo viajar em jatinhos particulares com a família para servir ao Estado como devem. Querem apenas ser remunerados de modo compatível com a relevância do serviço que prestam. Não se pode exigir, em nome do amor, que as pessoas abdiquem do necessário. A mais generosa impressão que se pode ter do que você disse é que a sua experiência pessoal com este sentimento é imatura e superficial.
Por que não te calas? Há quem colabore mais com outros recursos, que não a palavra. Pelo visto, seu ramo é outro. Faça o melhor que sabe nas condições que pode, mas evite expor em demasia a natureza confusa dos seus valores.

* Ricardo Alcântara,
Poeta e publicitário.
Fonte: Blog "O Povo"
http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/em-nome-do-amor-apoio-aos-professores-grevistas/#.TmTsOl-ZHhs.twitter

Proposta (indecente) do governo de Minas aos professores

Entenda porque é impossível aceitar a proposta do governo da forma como está. Além de ser prejudicial aos educadores, ainda descumpre tanto a lei  federal 11.738/08, quanto a lei estadual 15.293/04.

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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Porque estou em greve


Após 15 dias de greve, e também de reflexão sobre isso, achei que deveria apresentar uma justificativa os meus colegas educadores, meus alunos e seus pais, e a todos mais que se sintam envolvidos nessa situação.
Como não poderia ser diferente, o grande motivo que me faz continuar em greve está intimamente ligado à minha profissão. Mas diferente do que parece óbvio, não venho mais uma vez justificar meu estado de greve apenas pelo meu salário. Quero justificar esses dias com base no meu trabalho como Professor de Filosofia.
Como poderia continuar ensinando aos meus alunos do Primeiro Ano Médio que a Filosofia se faz pelo questionamento da realidade, pela sua problematização, pela pergunta que motiva a busca pela verdade, se eu continuasse passivo, sem questionar minha própria situação profissional, sabendo que estava submetido a uma inverdade, simplesmente por não acreditar na mudança ou por me imaginar impotente diante de um Estado maior que eu?
Como poderia continuar ensinando aos meus alunos do Segundo Ano Médio que o trabalho deve conduzir o homem à realização, à transformação da sua vida e da sociedade e não simplesmente à alienação e ao desgaste físico e mental, se eu continuasse a chegar em casa cansado e frustrado pelo descaso do nosso patrão em relação a nós, seus funcionários, e à nossa clientela; continuasse a assistir às propagandas  maravilhosas e enganosas sobre nossas escolas e reportagens sobre educadores agredidos e aviltados em seus direitos; continuasse a encontrar com amigos e colegas que insistiam em dizer que tinham pena de mim pela minha profissão; e, no fim do mês continuasse a receber um salário que não corresponde à minha força de trabalho?
Como poderia continuar ensinando aos meus alunos do Terceiro Ano Médio que a política tem como papel regular a vida da sociedade, administrando o que é de todos, em vista de diminuir as diferenças, assegurar a igualdade de direitos, elaborar leis justas, e que todos nós devemos participar diretamente da política pelo voto e pela cobrança uma vez que o poder político se legitima graças ao respaldo e a aceitação do povo, se eu continuasse a responder calado à injustiça que a minha classe vem sofrendo diante do não cumprimento de uma lei que nos favorece; continuasse a me manter omisso diante do abuso de poder dos governantes; se eu me mantivesse num conformismo que afirma que o Brasil não tem mais jeito e que aos políticos cabe altos salários e ao povo altos impostos?
Enfim, se eu me mantivesse como estava, estaria claro para meus alunos que a Filosofia não faz diferença alguma. É apenas uma disciplina a mais; uma erudição desnecessária que não modifica em nada a vida da pessoa e tampouco da sociedade. Desta forma não faria sentido algum estudar Filosofia. E se não há porque estudá-la, não há porque haver alguém que a ensine. E, como aconteceu nos anos da Ditadura Militar, a Filosofia seria novamente retirada das escolas e eu passaria de grevista a desempregado.
Como vocês puderam perceber, prefiro correr o risco de perder o emprego por ter lutado do que perder o emprego sem ter feito nada!
Pedro Henrique Mendonça Fernandes
Professor (designado) de Filosofia da Rede Estadual de Minas Gerais

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Ministério Público de Minas: dois pesos, duas medidas.

Em greve desde o dia 8 de junho, os educadores de Minas Gerais lutam pelo cumprimento da lei 11.738/08, que define um piso salarial nacional para o magistério. Durante essa greve os professores tem enfrentado de tudo, desde ameaças, violência da PM, substituição no último ano do ensino médio, corte dos salários, calúnias nos meios de comunicação, dentre várias outras coisas. O golpe maior sobre os professores  veio somente agora, quando constatamos, mais uma vez,  o quanto a justiça mineira é comprometida.. A quem recorrer? 

Infelizmente, a justiça mineira é cega, mas  de um olho só. Ontem, 31/08,  todos os jornais noticiaram que o governo de Minas fez uma proposta de implantação do Piso, e que os professores não aceitaram. Noticiaram também que o MPE poderá, diante da recusa dos professores, pedir a declaração de ilegalidade da greve. Ora, porque o MPE não declara que o estado está ilegal ao não cumprir uma lei federal? Segundo o Procurador de justiça, ao aplicar um vencimento básico de R$712,12 a TODOS  professores, independente da sua formação e tempo de serviço, o governo de Minas cumpre a lei do Piso. Será?
Não é necessário ser bom entendedor de leis para saber que, a lei do piso diz que R$1187,00  é o valor pago para um profissional de nível MÉDIO de escolaridade, em uma jornada de até 40 horas semanais. Aplicando a proporção para a jornada do estado, que é de 24 horas semanais,  chega-se a 712,12 para o NÍVEL MÉDIO DE ESCOLARIDADE, aos outros níveis  devem ser aplicados os percentuais da carreira previstos na Lei estadual 15.293/04, que trata do plano de carreira dos servidores da educação. Aplicando-se a proporcionalidade pelo plano de carreira, a cada nível de escolaridade deve ser calculado 22% sobre o valor inicial . Essa é a diferença de um nível para o outro, 22% previsto no plano de carreira. É uma lei estadual. Diante de Promotores de justiça e do próprio Procurador Geral de Justiça do Estado, o governo rasgou uma lei estadual, ao propor aplicar R$712,12 a TODOS OS PROFESSORES independente se têm nível médio, superior, especialização, mestrado, enfim. E o que  o Procurador fez? Nada, absolutamente nada, além de advertir aos professores sobre a possibilidade de pedir a ilegalidade da greve. E a ilegalidade do estado?
Em declaração ao jornal "O Tempo" o Dr. Alceu Torres Marques, reconheceu o golpe do estado: "A decisão do governo realmente desvaloriza a carreira dos professores, mas a greve está prejudicando os alunos", afirmou Marques. Ou seja, o sr. procurador tem ciência de que o estado está golpeando milhares de educadores, rasgando a lei, se colocando acima dela. Mas, por razões que fogem ao nosso entendimento, insiste em dizer que ilegal são os trabalhadores, cidadãos que estão a quase 90 dias sem salários e lutando para defender um direito que lhes é "garantido" por lei, ou melhor, que está na lei e deveria ser garantido se, de fato, tivéssemos uma justiça justa. Se quem fosse responsável pelo cumprimento dela tivesse a capacidade de não titubear entre um e outro lado, pendendo para aquele que maior poder representasse.
Sim, a greve prejudica muitos alunos. Mas o que dizer das milhares de famílias cujo sustento é obtido do trabalho árduo e desvalorizado de um educador?

Por: Adriano de Paula

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Os agradecimentos do governador

Em seu primeiro pronunciamento sobre a greve na educação, que já dura 84 dias, o governador Anastasia só soltou pérolas. Primeiro o governo afirmou que a publicação do Acórdão pelo STF, que garante aos professores de todo país o pagamento do Piso Salarial Nacional, não alteraria em nada a postura do governo de Minas. Ora, como professor de direito administrativo que é, o sr. governador sabe muito bem que não tem opção de cumprir ou não uma decisão referendada pelo STF. A estratégia foi apenas tentar ludibriar mais uma vez a população. Mas, sejamos razoáveis, o argumento bem que poderia ter sido mais  inteligente.

Outro mico do governador, foi anunciar que os alunos terão aulas de reforço pela TV MINAS, como forma de minimizar os impactos da greve. Nesse ponto o Anastasia caiu no ridículo, mostrou total desconhecimento da realidade dos nossos alunos, além disso, desde quando vídeo aulas substituem um professor?Especialmente para o nível de ensino que se pretende, o ensino médio, isso mostra como o governo de Minas entende de educação, e como a trata. Primeiro contrata tampões para lecionar no ensino médio (alunos de 1º período de diversos cursos que não têm nada a ver com educação, além de nutricionistas, advogados e outros dispostos a fazer bico na educação), agora anuncia aula de reforço pela TV. Cômico, se não fosse triste. 

Não ficou só nisso, o governador estava no auge da sua veia cômica,  e soltou mais uma. Fechou seu pronunciamento agradecendo aos "mais de 90%" dos professores que estão em sala garantindo a qualidade da educação mineira. Nesse ponto foi de rir. O governador vai mal de cálculo. Em todo estado mais de 50% das escolas estão paradas, e se alguém não acredita nisso, basta observar o desespero do governo para acabar com a greve. Duas secretárias de estado empenhadas em desarticular o movimento, "cala boca" em parte da imprensa, notas pagas na TV e nos jornais impressos para desqualificar o movimento, contratação de 1600 tampões para o 3º ano (eram 3000 vagas mas o estado, mesmo pegando qualquer um, não conseguiu preencher todas). E mais,  o ilustríssimo governador saiu do seu palácio de cristal para fazer um pronunciamento oficial sobre o que ele chama de "paralisação parcial" das escolas. Parcial? Fazendo todo esse barulho a mais de 84 dias? Sei não governador, uma greve "tão pequena", segundo palavras do governo, está mobilizando forças demais de um governo indiferente e intransigente. 

Por fim, não é possível deixar de comentar o "carão" dos colegas que receberam os agradecimentos do governador. Não são 90%, mas sejam quantos forem, deve no mínimo ter causado algum  constrangimento receber tão pouco por trair e sabotar os colegas de profissão. Colegas esses que estão na luta a mais de 80 dias para ter dignidade na profissão. Os evangelhos nos falam também de um traídor, esse talvez seja reconhecido como o maior traidor da história. Diferente dos nossos colegas, Judas recebeu um pouco mais que um tapinha nas costas e um muito obrigado. 

Por : Adriano de Paula

Veja esse vídeo:



quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Tira dúvidas

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FONTE: Jornal "O Tempo"

Uma greve histórica!


Foi no mínimo emocionante o que aconteceu hoje na Assembleia estadual dos Trabalhadores em Educação. Que esta é uma greve histórica, todos já sabemos. A própria imprensa já reconhece, pela duração e pela dimensão do movimento, que essa é uma greve diferente. 

Após resistir a todos os ataques do governo de Minas, os educadores da rede estadual aglutinaram forças. A grande mobilização de hoje deixou claro que essa não é uma luta apenas dos professores, mas de toda a sociedade mineira que quer um basta nesse governo que tanto mal tem feito a família mineira. Que não investe em educação e nos demais serviços públicos essenciais. Um governo que vive de marketing e maquiagem.

Se a greve já estava forte, hoje ficou maior. Estiveram presentes na Assembleia centenas de estudantes secundaristas e universitários. Os estudantes da PUC MINAS (direito, história, filosofia, ciências sociais, e outros), da UFMG (FAE, FAFICH, FALE, direito e outros), bem como, professores e técnicos adminstrativos dessa universidade marcaram presença no grande ato em defesa da educação. Vários movimentos sociais como: MST, Via Campesina, Movimento dos Atingidos por Barragens e vários outros também foram prestar sua solidariedade aos educadores. Sindicados de várias categorias profissionais marcaram presença e ofereceram apoio e suporte a greve da educação. 


Pela primeira vez Minas assistiu um pacto dos diversos segmentos da sociedade pela Educação. Todos esses segmentos estiveram ali imbuidos do espírito de solidariedade e reconhecendo o valor social da educação e dos educadores. Tal apoio pode ser sintetizado nas frase que todos carregavam no peito ou em faixas: "mexeu com os professores, mexeu comigo". 

Esperamos que toda a sociedade reconheça que a luta dos professores não é apenas deles, mas, de todos que acreditam em futuro melhor e mais justo, o que só será possível através da educação da classe trabalhadora. Não qualquer educação, mas uma educação que seja de qualidade.

Por: Adriano de Paula

Clique aqui e leia o manifesto de apoio dos estudantes da PUC-MG (leia o verso aqui)e dos professores da FAE/UFMG




sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Minas e a carroça da educação

Hoje, quando a greve da educação mineira completou 64 dias, os educadores percorreram o movimentado centro comercial de Venda Nova, em Belo Horizonte, em um desfile pouco convencional. Dezenas de educadores desfilaram ao lado de carroças e carrinhos de mão cheios de livros, cadernos e cartazes denunciando o descaso do governador Antônio Anastasia com a educação em Minas Gerais. O desfile chamou a atenção da imprensa e de quem passava pela rua. A intenção era mostrar para a população que em  Minas a educação anda a cavalo, a carroça. 

Em greve desde o dia 8 de junho, os educadores mineiros têm sido vítimas da intransigência e do espírito belicoso do governo mineiro. Perseguição a grevistas, agressões físicas, corte dos salários, são algumas das  atitudes baixas desse governo que não consegue dialogar. Além disso, ao veicular na TV comunicados mentirosos e agressivos (com dinheiro público), o governo de Minas tenta uma estratégia de desacreditar  o professorado mineiro diante da sociedade,  e até  incitar a população contra esses profissionais através da idéia de que os professores estariam comprometendo o acesso dos alunos do 3º  do ensino médio à universidade.

A última cartada da senhora secretária de educação Ana Lúcia Gazzola, foi o anúncio da contratação de mais de 3 mil "professores tampões" para substituir os profissionais em greve nas turmas de 3º ano. Chama atenção o fato do governo está contratando inclusive pessoas sem qualquer formação pedagógica e sem qualificação profissional para atuar no ensino médio. É Minas Gerais na contramão do desenvolvimento. Alguém ainda duvida que a educação mineira anda a carroça?



Pior salário do Brasil para a educação (369,00 para um professor com nível médio de escolaridade), não cumprimento de lei federal (11.738/08 – Lei do piso nacional da educação), milhares de profissionais atuando com contratos precários e um déficit de mais de 800 mil vagas no ensino médio. Esses são alguns dos muitos problemas da educação mineira. 

Sem falar em greves que acontecem todos os anos, cada vez mais extensas. Em 2010 foram 48 dias de greve. Esse ano já passam dos 64 dias parados, sem que o governo se disponha, pelo menos,  negociar com os profissionais. 

Fica claro,  que o desafio do governador Anastasia na educação é realmente muito grande. Não adianta mais reformar a carroça governador, é necessário fazer a educação decolar. 

Por: Adriano de Paula
 
Veja o vídeo da "carroçada" da educação: 


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Depoimento de uma professora: há 10 anos assistindo precariedade e arbitrariedade

Ontem, 09 de Agosto, foi publicada no Diário Oficial do Estado, resolução que contrata, em situação PRECÁRIA professores para atuarem na última série do Ensino Médio, sob o débil e demagógico argumento de que a greve está gerando “prejuízos irreparáveis e irreversíveis” aos alunos, devido à proximidade do exame do ENEM. Segundo a secretária de educação, o estudante precisa estar apto para o ENEM. Além disso, deixa claro que, não comparecendo à designação os profissionais habilitados (ou seja, que tenham feito curso de licenciatura exigido para o exercício desta função, conforme a LDB), qualquer pessoa “qualificada” (termo nada preciso), poderá assumir tais aulas, assumindo a responsabilidade de preparar nossos alunos para o referido exame que ocorre em Outubro. Pergunto: as aulas específicas de cada curso e especialmente as de didática e métodos de ensino são agora dispensáveis ao exercício do magistério?
            Tal ação POLÍTICA (coloco em maiúscula, dado a sua seriedade), suscita questões diversas, das quais, tenho certeza, somente conseguirei apontar algumas:
- A educação se resume ao ENEM?
- Os estudantes da rede estadual de educação têm tido possibilidade de acesso à educação de qualidade que lhes dê oportunidade de atingirem rendimento no exame do ENEM, garantindo-lhes acesso às Universidades Públicas?
- As aulas ministradas neste período terão os recursos que constantemente solicitamos em nossos planos de ações (PIP)? De repente brotarão laboratórios para as aulas de biologia, química e física, mapas históricos e geográficos atualizados, materiais didáticos complementares e tudo o mais que os órgãos responsáveis já devem ter verificado que solicitamos todos os anos?
- Lembrar-se-ão que não estamos tendo professores habilitados (às vezes até sem habilitação mesmo) de Física, Química e Matemática?
- Neste período serão investidos 25% da arrecadação do Estado na educação?
 São muitas questões....
A atitude da atual Secretária de Educação Ana Lúcia de Almeida Gazzola, juntamente com os Gerentes de Plantão aqui no estado de Minas Gerais, pode-se comparar à dos imperadores romanos em seu período de maior decadência. Jogam-nos à arena para nos digladiarmos. Estes “nós” a quem me refiro são os trabalhadores em educação, o povo, do qual fazemos parte e os estudantes, filhos deste mesmo povo. Isto revela o descaso e desrespeito com o povo que necessita (e tem direito) à educação de QUALIDADE e está em seu direito quando cobra uma solução para o impasse na greve. 
É, entretanto, um verdadeiro golpe, no mínimo sujo, a ação do governo. Primeiro, porque acha mais fácil provocar tamanha celeuma ao invés de cumprir uma lei nacional, em vigor desde Julho de 2008. É mesmo muito cinismo pautar-se na constituição para nos depreciar, quando não cumpre uma lei que nem ao menos chega aos pés do que deveria ser o salário mínimo constitucional (vide cálculos do DIEESE). É “golpe baixo” tentar romper com o direito de greve, aproveitando-se do fato de existirem tantas pessoas desempregadas que, com certeza acham que vale a pena trabalhar substituindo grevistas, por pura necessidade. São os “poderosos” colocando-nos para comermos o fígado um do outro, como se fossemos “urubus na carniça”. É a mais pura degradação da nossa sociedade, sob os olhos sádicos de quem a “governa”.
Como educadora apaixonada pelo que faço, não posso deixar de expressar a minha indignação com a, se me permite, professora Ana Lúcia Gazzola, tamanha a crueldade temperada a hipocrisia, de sua ação. Não me venham dizer para mudar de profissão. É esta que escolhi, a duras penas, como a maior parte dos meus colegas, consegui concluir a graduação, paguei por uma Especialização na Universidade FEDERAL de Minas Gerais e tenho tentado alimentar o sonho de fazer Mestrado (em Universidade Pública), simplesmente, pasmem, para ser melhor profissional na própria rede estadual. O que me move é que sei que não sou a única a pensar assim. É por isso que estamos em greve.
Por fim quero dizer que as greves dos Trabalhadores em Educação, por todo o país, significam um pedido (pedido, não, grito) de socorro pela educação no Brasil. Educação esta, sempre colocada como prioridade por todos os governos em seus discursos eleitoreiros que, se cumpridos estaríamos no paraíso. Inclusive, cadê o Governo Federal nesta história?
Faço, assim, um chamado a todos os Trabalhadores em Educação que ainda estão em sala de aula: A PARTIR DE HOJE VENHAM ENGROSSAR MAIS AINDA O MOVIMENTO GREVISTA. É DEGRADANTE ACEITAR O DESRESPEITO COM QUE OS PROFISSIONAIS DA EDUCAÇÃO PÚBLICA ESTÃO SENDO TRATADOS. O DITO “ESTADO DE DIREITO” É UMA FARSA!
Assinado: Liliane Morais - Professora
Integrante do MOCLATE (Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação)

Aos alunos com carinho

Aos "alunos" com carinho,

Todas as conquistas , ao longo da história, basearam-se nos sonhos, na luta e  resistência do povo. Sabemos que só há desenvolvimento social através da educação. Em 2010, iniciamos uma jornada pelo cumprimento da lei 11738/2008. Pactuamos com o governo diretrizes para implementação do acordo. Porém o mesmo descumpriu pontualmente os termos acordados.

Após longo processo de "conversação", pois não houve nenhum ponto negociado. Deflagrou-se a greve que já passa dos 60 dias parados. Queria que fosse diferente, mas socialmente somos invisíveis e mesmo com a greve assim permanecemos.

A vocês que me conhecem e já conviveram comigo, venho tornar público minha profunda tristeza e minha indignação. EU ACREDITO na igualdade de direitos, na justiça, no futuro , na educação e no cumprimento das leis sem distinção. Em MG escolhe-se qual lei cumprir, depende de quem será beneficiado.

Após 60 dias de greve, ao invés de cumprir a lei, o governo "soluciona" o   problema: cria uma resolução para substituir os professores do terceiro ano do ensino Médio em greve. E alega que os mesmos não poderão ser prejudicados no Enem. Sendo assim como peças serei  substituída. Não estou de férias e sim em GREVE. Mesmo assim permanecerei lutando. Gostaria de tudo fosse resolvido sem tantos transtornos e suspensão das aulas.

Durante esse período de luta já sofri agressões verbal, moral e física. Fui presa, caluniada, chacoteada e ameaçada. Falei em carro de som, na TV, na net. Apesar de tudo continuo confiante e persistente. Não quero formar escravos, não mais. Sonho com a educação libertária que educa o cidadão. Creio que a EDUCAÇÃO se faz pelo exemplo.
Caso algum dia seja lembrada, gostaria de ser lembrada pela persistência, pelo compromisso e afirmando que mudar a situação é difícil e possível. Procuro escrever a minha história, para que assim minha existência valha a pena, fazer a diferença. Finalizo   citando Monteiro Lobato" um país se faz a com homens e livros".  



Graziella da Costa Moreira Souza 
Curso superior com pós - graduação
Professora Estadual desde 1994.

As soluções de um governador "tampão"

Ao anunciar a contratação de "professores tampões", para substituir temporariamente nas turmas de 3º ano os profissionais que estão em greve, o governo de Minas atestou seu descaso com a educação, seu descompromisso com a juventude e com o ensino público.

Basta um mínimo de senso crítico para saber que se o governo quisesse resolver o problema da greve era tão somente cumprir uma lei federal, e implantar no estado o Piso Salarial Nacional. Essa medida acabaria com a greve em todos os níveis de ensino e traria a normalidade a todas as escolas do estado, não somente no terceiro ano do Ensino Médio.  Ao contrário,  o governador Anastasia prefere  assumir uma postura belicosa e beligerante. Prefere travar uma queda de braço com os professores sem objetivo de acordo, o único objetivo é derrota-los.

Dessa forma, o governo de Minas coloca em risco o ano letivo dos alunos do primeiro ao nono ano do ensino fundamental , bem como, do primeiro ao terceiro ano do ensino médio. É fato, o terceiro ano do ensino médio também está comprometido. Alguém acha que o governo irá encontrar 3 mil professores de uma hora para outra? Além disso, todos sabemos que a maioria das contratações serão de pessoas sem formação específica para lecionar as disciplinas que serão cobradas nos vestibulares e no ENEM.
Não se iludam! O governo mais uma vez passa um verniz na situação. Passa a imagem de normalidade, mas na verdade faz apenas uma maquiagem. O triste é que podem haver pais e alunos aplaudindo isso. Coitados! Mais uma vez vítimas de um governo sorrateiro e enganador.
Ficam alguns questionamentos: e os alunos do primeiro ao nono ano do ensino fundamental? E os alunos do primeiro e segundo ano do ensino médio? Continuarão sem aulas apenas por um capricho do governador? Onde estão os pais que não vão cobrar isso do estado? Onde está a Federação de Pais que cobra o fim da greve, mas não se posicionou quando o estado retirou disciplinas fundamentais da grade curricular do Ensino Médio? Será que a Federação de pais representa apenas o terceiro ano do ensino médio? Porque ninguém ainda falou que o presidente da tal federação de pais sequer tem filhos em escola pública?
Hoje na Assembleia Estadual dos Trabalhadores em Educação, vimos muitos alunos e também pais de alunos pegando o microfone para expressarem seu apoio aos professores em greve. São pessoas conscientes que não deixaram de falar do prejuízo que a greve traz aos alunos, mas que entenderam que o grande algoz da escola pública que compromete o futuro da juventude mineira é o governo de Minas. Isso porque é um governo que desrespeita a educação e aos educadores, trata com descaso o ensino e não resolve um problema fundamental do ensino público, a remuneração do professor.

As "soluções"apresentadas pelo governador, podem no máximo atentar contra essa greve, mas, se não houver solução definitiva os próximos anos serão de greves e mais greves. E aí? Contrataremos tampões todos os anos? Os alunos perderão dois meses de aula todos os anos?
É preciso que a sociedade avalie o que de fato quer para os seus filhos e  para a juventude. Se um futuro certo com bases sólidas, ou apenas tampões, castelos de areia. 

Por: Adriano de Paula

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Minas do improviso, é preciso solução

Hoje o portal UAI, destacou a seguinte notícia: " Professor substituto pode ser salvação". A matéria trazia a fala da secretária de educação,  que acusava o sindicato de intransigência nas negociações. Trazia também a fala de alguns pais e alunos reclamando dos prejuízos. Para solucionar o problema a secretária Ana Lúcia Gazzola disse  está estudando judicialmente medidas para minimizar o prejuízo aos alunos.
Algumas questões precisam de reflexão. Primeiro, quando o governo fala em intrasigência do sindicato, não está  ligando o nome a pessoa. Estou acompanhando a greve desde a sua deflagração e o que vi até o momento foi o governo em uma posição extremamente intransigente, dizendo que  não negociaria com grevistas. Em 62 dias de greve apenas duas reuniões de negociações foram feitas, isso após muita pressão da categoria. Mesmo assim, nas reuniões a secretária insistia em dizer que não negociava o Piso Nacional, motivo primeiro da greve, visto que é uma lei federal que Minas  ignora. 
Desta forma,  não há como se falar em intransigência do sindicato, mas em incoerência da secretária. Desde o início, a estratégia do governo em relação a greve foi de ignora-la e não reconhecer como problema Por isso a greve se estendeu tanto. Irresponsabilidade do senhor Anastasia e sua trupe.
A greve prejudica alunos, prejudica também aos professores que estão sem os salários e também farão a reposição aos sábados feriados e férias. Portanto, ninguém está brincando de fazer greve. Se a categoria insiste no movimento, certamente não é para se divertir. Afinal, qual trabalhador vai querer perder seus salários e suas férias?
No que diz respeito a substituição de grevistas, o governo sabe que não pode faze-lo. A lei é clara em dizer que trabalhador em greve não poderá ser substituido. O governo encomendou a matéria no jornal exatamente para tentar maquiar a situação e colocar os pais contra os professores, tenta com isso transferir aos professores uma responsabilidade que exclusiva do governo estadual. Um mínimo de senso crítico porém,   revela que um governo que demora 50 dias para iniciar o diálogo com a categoria em greve, é no mínimo irresponsável. Sem falar que nenhum trabalhador, pai de família pensa em receber um vencimento básico de 369,00 e de 550,00. Porque o professor tem que receber calado? Professor também tem família, não é mesmo? É preciso lembrar-se disso.
Para contratar professor substituto, primeiramente  a greve  precisaria ser declarada ilegal, só aí, talvez, poderia seguir a contratação. Fora isso, nada poderia ser feito. Mais uma manobra desse governo imundo. É preciso estar atento. O governo está pressionado e tenta passar essa pressão para os professores. Os trabalhadores em educação não podem aceitar isso, ou o governo implanta o piso, ou vai ter que arcar com o ônus das escolas paradas.
Lamentamos o fato dos alunos estarem prejudicados em função da paralisia do governador Anastasia. Porém, infelizmente, a greve é  única forma que os educadores tem para tentar sair da miséria que esse governo os impõe. É importante lembrar que estamos falando de trabalhadores com nível superior recebendo vencimentos básicos de R$550,00, quando existe uma lei que proibe tal situação. 
A luta dos professores deveria ser de toda a sociedade, pois uma escola com profissionais na miséria, não tem qualidade, é apenas engôdo, é maquiagem.
O governo fala em contratar substitutos, mas todos sabemos que hoje faltam professores no estado, assim como no Brasil. De onde virão os substitutos? É claro que serão estudantes e talvez,  profissionais de outras áreas que se aventurarão ensinando os filhos da população que depende da escola pública. Será que é isso que os pais querem? "Professores" tampões? "Professores" que não são professores? Será que isso também não prejudica quem vai prestar vestibular? A tal federação de Pais, encabeçada pelo senhor Mário de Assis não vai se manifestar quanto a isso? Acho que não. Até porque a tal federação só aparece em períodos de greve. Se omitiu quando o governo retirou matérias do ensino médio e em outras situações cruciais na vida no nosso alunado. 
Talvez o melhor, mais eficaz e mais simples, fosse o governo sentar com os grevistas e negociar o pagamento do piso, logo, o cumprimento da lei.  Certamente, essa última deveria ser a atitude de um governo que prima pela educação.  Não é o caso do governo de Minas, que mais uma vez mostra como trata a educação e a escola pública: com improviso e com descaso. 
É preciso por fim a greve, mas com soluções para o caos da escola pública e dos salários dos professores. Não com mentiras, manobras e "vernizes". É preciso solução. Sem isso greves acontecerão todos os anos, rotineiramente. Queremos solução, queremos o cumprimento da lei 11.738/08. Queremos o piso salarial nacional da educação.

Por:  Adriano de Paula

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O momento é de continuidade da Greve

A demora do Governo de Estado em estabelecer um processo de negociação que modifique o vencimento básico é uma estratégia que explicita a forma de gestão que enfrentamos.
Lidar com movimento organizado seja ele social ou sindical é muito trabalhoso e não é possível estabelecer um controle dele. Por isso enfraquecê-lo, desacreditá-lo como interlocutor da categoria é importante para que não seja um ator no cenário, para que não pressione e portanto não interfira na forma de gestão.
Por isso, para o governo é preciso punir a categoria de modo a mostrar que a organização é uma afronta intolerável. Nesta situação se enquandram o corte de pagamento, a suspensão de ferias-prêmio e o adiamento da posse das novas direções de escola que vivemos neste momento.
Em 2012, haverá eleições, portanto restrições no que diz respeito à política salarial. Por isso a luta precisa conquistar o Piso Salarial este ano.
Não há motivos para o retorno às aulas neste momento. Precisamos conquistar o Piso Salarial.
Por isso a greve continua por tempo indeterminado.
O recuo neste momento não garante o salário, nem as férias-prêmio. É preciso fortalecer ainda mais o nosso movimento e intensificar o retorno à remuneração de vencimento básico. É ela que possibilitará o pagamento do Piso Salarial.
ATO EM DEFESA DO PISO
A escadaria da Igreja São José foi o palco da nossa 1a. manifestação no segundo semestre.
O Ato reunião movimento sindical, social e político em defesa da nossa greve e da nossa luta pelo Piso Salarial.
Foi uma ação muito importante porque demonstrou que nã estamos isolados e pudemos aglutir vários movimentos em torno de questão tão sagrada como é a educação. Entre tantas entidades e autoridades presentes, cito algumas:
- Internacional da Educação (IE);- Bloco Minas sem Censura (Rogério Correia e Elismar Prado);- Deputado Federal Padre João;- Presidente Nacional do PSTU, Zé Maria;- o MST;- o Sindeletro;- CUT Nacional (Vagner Freitas);- CUT MG;- CTB;- SindRede;- Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas
- Marcha Mundial das Mulheres;- CNTE (Marta Vaneli, Secretária Geral);- Sindicato dos Metroviários
e várias outras entidades.
Os estudantes de São José da Lapa estiveram presentes em nossa assembleia manifestando apoio à categoria.
 
Fonte: Blog da Beatriz Cerqueira 
http://blogdabeatrizcerqueira.blogspot.com/

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

O governo na berlinda!!!

O governo de Minas fez um verdadeiro bombardeio neste final de semana. Sabendo que o recesso escolar acabou na última sexta feira, o governo não exitou em gastar rios de dinheiro com a mídia impressa e também na TV, veiculando um comunicado mentiroso que objetivava  atacar o sind-UTE  e  colocar a população contra os professores em greve. 

A greve da educação faz hoje 53 dias, e o governo tentou desde o dia 08 de junho, data de início do movimento, negar que a greve acontecia. Durante todo esse tempo a estratégia era negar o movimento ou minimiza-lo. Ao que tudo indica não deu certo. Caso contrário, o governo não teria feito tal bombardeio na mídia atacando uma greve "inexistente" ou uma greve "fraca".  Confesso que foi irritante assistir  na TV o comunicado desaforado e mentiroso do governo de Minas. Mas,  por outro lado, foi também prazeroso perceber que o governo já mostra sinais claros do seu desgaste com o movimento. E mais, mostra o seu desespero frente uma categoria que mobilizada se recusa a abaixar a cabeça para mais um "assalto" desse governo contra a educação. 

Todos sabemos que o governo de Minas não paga o Piso Salarial Nacional, nem na sua integralidade como manda a lei, e sequer na sua proporcionalidade, como ele insiste e dizer que deva ser. O governo faz o seu papel sujo,  tentando omitir a verdade à população. Fala, fala, fala, mas não pode provar nenhuma das suas afirmações. Não prova porque não são verdadeiras. Diferentemente, nós, educadores estaduais em greve, quando falamos que o governo não paga  Piso Salarial Nacional podemos provar através dos nossos  contracheques. 

CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR
Minas paga a um professor com nível médio de escolaridade R$369,00 e a um professor com nível superior R$550,00. Esses são os pisos salariais dos educadores mineiros, e isso nós podemos provar. Desafio a secretária de educação Ana Lúcia Gazzola e a secretária  de Planejamento Renata Vilhena a provarem que meu piso é maior que esses valores. Podemos não ter dinheiro para pagar propagandas e comunicados mentirosos na TV, como o governo fez neste final de semana, mas disponibilizamos nossos contracheques que provam as mentiras do senhor Anastasia.  

Hoje, à meia noite, os contracheques dos servidores da educação foram disponibilizados no portal do servidor. Esperei ansiosamente para consulta-lo, e como já esperava,  pude comprovar que os salários foram cortados. Isso mesmo, metade do meu salário foi cortando em função da greve. Se estou preocupado? Sim, afinal com esse salário de fome não é possível sequer poupar para uma emergência. Mas, se esse for o preço a ser pago para que eu resgate minha dignidade como educador, eu estou disposto a pagar. Não é possível  pautar uma carreira de 30 anos,  em um mês de salário.Este é um momento crucial na vida de todo educador estadual em Minas Gerais. Ou conquistamos o piso agora, ou lamentaremos essa derrota pelos próximos anos.

Quero convidar a todos os colegas a reforçarem essa atitude. Começamos juntos uma greve no dia 08 de junho, uma greve com  um objetivo claro. Só faz sentido sair da greve quando esse objetivo for alcançado. Voltar para escola  não traz o salário de volta. A única  possibilidade de reaver  o nosso pagamento, é manter a mobilização forte para negociarmos a devolução dos  salários. Sem mobilização voltaremos enfraquecidos, sem piso e sem salário. Me recuso a me dobrar a essa chantagem baixa e injusta do governo de Minas. Me recuso a jogar fora 53 dias de greve, virando as costas e voltando para a escola simplesmente. Iniciamos a luta, agora é lutar até o fim. Lembrando sempre que  sem salário, não haverá reposição. 

Pela nossa dignidade. Não vamos deixar que o governo faça com a nossa categoria o que ele bem entender. Não adianta convocar para a escola. Quem define se a greve continua, ou não, somos nós, os trabalhadores em educação. E se o governo de Minas pretende por fim a greve, que o faça, mas não ameançando e cortando salários. Que o faça com moralidade e na legalidade,  cumprindo a lei e pagando o Piso Salarial Nacional da Educação. É lei, é direito e nós merecemos. 

Por: Adriano de Paula

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Desrespeito ao trabalhador, ao cidadão e a democracia

Maus exemplos na política não  faltam no Brasil, infelizmente. A cada dia engrossam as fileiras dos políticos que viram notícias por casos de corrupção, por omissão as demandas sociais e pelo seu mau comportamento como homens públicos. 
No caso de Minas Gerais, específicamente da ALMG, não tem sido diferente. Já a algum tempo temos nos deparado com um legislativo omisso, subserviente e descomprometido com as causas imediatas da população mineira. Exceções existem, é claro, mas infelizmente são cada vez mais  raras exceções. 
As Casas Legislativas deveriam ser, por definição, um espaço onde a participação e a presença da população fosse incentivada, e não somente tolerada. Não é o que vemos na ALMG, onde todas as vezes que as galerias são ocupadas pelos cidadãos, fica nítido o desconforto e até mesmo a intolerância de grande parte dos deputados. Diante das cobranças feitas aos ditos "representantes do povo", a reação é a pior possível, da indiferença de alguns até agressões verbais, com palavras de baixo calão, feitas pelos "senhores de terno e gravata".  
No dia 29 de junho, os trabalhadores em educação participavam de uma Audiência Pública na ALMG que discutia a dívida de Minas com a União. Na ocasião, o deputado Zé Maia (PSDB) presidia a comissão e incansavelmente disparou contra os presentes, chamando-os de desiquilibrados e sugerindo inclusive que os educadores haviam usado substâncias ilícitas. O deputado fez questão de salientar que podia falar  por que tinha imunidade parlamentar. Outro exemplo do desrespeito dos deputados, fantoches do governo de Minas, foi o episódio esdrúxulo do deputado Jairo Lessa (DEM), de cima do plenário mandando um professor tomar em "lugares indevidos", esse episódio ocorreu no dia 13 de Julho no plenário da Casa e foi presenciado por mais de 300 educadores e dos deputados que participavam da sessão. 
Mas parece que o deputado Antônio Genaro (PSC) não queria ficar para trás, e também somou-se aos que descaradamente desrespeitam os cidadãos mineiros. Questionado sobre o fato de nunca se posicionar a favor dos trabalhadores, e pela sua nítida ausência nas discussões na ALMG, o deputado e também Pastor Presidente da Igreja do Evangelho Quadrangular em MG, destilou o seu veneno. Genaro desdenhou dos professores dizendo que faria um teste para saber se quem ocupava as galerias eram mesmo professores. O "pastor deputado", ou "deputado pastor", enfim, Genaro leu meia dúzia de palavras de "um português arcaico e clássico", segundo o próprio, e ao final concluiu que se os professores nada entenderam é porque são analfabetos. Leia aqui a fala do deputado
Fica a pergunta, será que Genaro também fala um português obscuro no momento de recolher os dízimos? Como membro da sua igreja que fui por mais de 20 anos, afirmo que não. Gostaria de entender a lógica de um pastor, de uma igreja que atende a inúmeras comunidades carentes, em não defender a valorização de profissionais que lidam diariamente com o futuro das crianças dessas comunidades. Pior, os agride e os desrespeita.
No ano passado, um grupo de professores compareceu por diversas vezes ao gabinete do deputado, buscando apoio e diálogo para tentar por fim a uma greve que se estendia por mais de 40 dias, o deputado nunca foi encontrado. Me pergunto incessantemente: onde estão os projetos apresentados por Genaro em mais de 20 anos como deputado estadual? Ninguém sabe. Dos poucos que existem, sejamos sinceros e passemos avaliar a relevância desses projetos. É escandaloso saber que alguém que a mais de 20 anos ocupa um gabinete na ALMG, é notado apenas pela sua má conduta, desrespeito e deserviço a população mineira. Alguém que  não soma, não faz a diferença, que é apenas mais um.
Talvez Antônio Genaro esteja mais preocupado em preparar seus sermões vazios. Digo vazios porque é sabido de todos que, de nada adianta toda a sabedoria do mundo, toda a beleza das palavras se a prática nos condena.

Por: Adriano de Paula

domingo, 24 de julho de 2011

Por trás das Máscaras

A Lei nº 11.738/08 regulamenta o piso salarial nacional para os profissionais do magistério público.

O Estado de Minas Gerais se manifestou dizendo que já estava cumprindo o piso, pois, somando todas as vantagens, temos uma remuneração que é superior ao disposto na legislação.

Surgiu aí um impasse, pois Estados e municípios sustentavam que o disposto na lei federal estava vinculado à remuneração. Na contramão, se encontravam os servidores da educação, representados por seus sindicatos, afirmando que o piso nacional é uma referência (mínima) e que sobre ela deveriam incidir todas as vantagens da carreira.

O caso foi parar no Supremo Tribunal Federal, que afirmou a vinculação do piso ao vencimento e, não, à remuneração, dando razão aos sindicatos da educação.

Já sabendo que dificilmente o Superior Tribunal Federal julgaria inconstitucional a Lei nº 11.738/08, o Estado se adiantou, querendo transformar a remuneração dos servidores da educação em subsídio. Isso significa acabar com todas as vantagens que incidem sobre o piso salarial, somando todas elas e criando um valor único: o subsídio. Com isso, o Estado cumpriria o que está disposto na lei federal em relação ao piso nacional.

Parece ser bom acabar com todos os "penduricalhos" do contracheque, mas ocorre que todas as vantagens são calculadas sobre o piso, contrariamente ao subsídio, no qual essas vantagens desaparecem, prejudicando o plano de carreira dos servidores da educação.

O subsídio é uma parcela única que descaracteriza o vencimento básico e as vantagens e gratificações dos servidores. Portanto, não pode ser adotado para os profissionais de carreira.

Essa forma de remuneração é bem-aceita por aqueles servidores que estão em exercício temporário, como, por exemplo, numa função política, pois eles não agregam outro valor ao salário que recebem. Com ela, toda vantagem pecuniária e qualquer verba especial com característica de vencimento, provisória ou definitiva, acrescida ao vencimento básico, deverão ser extintas, em caso de alteração da remuneração.

É verdade que o subsídio não afasta os direitos sociais elencados na Constituição Federal - como 13º salário com base na remuneração integral, férias anuais mais um terço, licença-gestante, licença paternidade etc. -, contudo, as demais vantagens desaparecem.

Agora, não tem mais como fugir à responsabilidade. A Adin nº 4.167, movida pelos governadores contra a Lei nº 11.738/08, foi analisada pelo Supremo, restando aos chefes de Estado cumprir o que foi decidido.

Cláudio A. da Silva - Advogado
claudio_boanerges@hotmail.com

Fonte: Jornal "O Tempo"
http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=177382,OTE&IdCanal=2  Acesso em 23/07/2011

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Governo de Minas volta atrás e negocia com grevistas após pressão

O discurso do governo de Minas Gerais quanto a greve da educação era simples: "não negociamos com grevistas". É no mínimo questionável tal posicionamento quando se trata de um governo que se diz republicano. Que governo republicano é este que se fecha ao diálogo com os trabalhadores? Da forma que o governo se posiciona, a impressão que se tem, é a de que os trabalhadores em greve são criminosos, que por estarem em greve deixam de ser dignos da atenção do poder público. Será? Ora,  o direito de greve não é uma garantia constitucional? A greve não é uma forma legítima de exercer cidadania consagrada inclusive pela Constituição de 1988?  Quando o governo fala que não negocia com trabalhador em greve, ele marginaliza e discrimina esses trabalhadores pelo simples fato de estarem exercendo um direito, exercendo sua cidadania. Nesse caso, não parece que o trabalhador seja o fora da lei, e sim o estado que o rotula e discrimina. Além disso, não são os trabalhadores em educação que estão deixando de cumprir a lei. É o governador do estado, Antônio Anastasia, que se nega a cumprir uma lei federal (lei 11.738/08), sancionada pelo governo federal, questionada no STF e já julgada e declarada plenamente constitucional pela Suprema Corte desse país. Se alguém está apto então a não querer dialogar por questão de princípios, não parece ser o governo do estado, mas os trabalhadores, e esses têm buscado diálogo constante para resolver o impasse com o governo mineiro.  
Educadores lotam ALMG
O discurso de que não negocia com trabalhadores em greve, nós sabemos, é apenas conversa. O governo de Minas sabe que precisa negociar, senão a greve não acaba. Tanto é que ontem, dia 14 de julho, as secretárias de educação e de planejamento sucumbiram a pressão dos educadores que em greve a mais de 35 dias, se organizaram e ocuparam o plenário da ALMG, numa clara estratégia de pressão sobre os deputados da base do governo. E que pressão!
Teve deputado perdendo as estribeiras, caso do deputado Jairo Lessa que teve o disparate de se referir aos educadores com palavras do mais baixo calão, e por isso foi apelidado de "deputado boca suja". Além dele, o deputado Zé Maia (o mesmo que havia insinuado que os professores tinham ingerido substâncias ilícitas) ficou um tanto incomodado com a pressão dos educadores que, vamos dizer, devolveram na mesma moeda. O constrangimento foi tamanho que o deputado não conseguiu falar em plenário. Nesse processo, fundamental a atuação dos 23 deputados do bloco de oposição "MG Sem Censura" que manteve a estratégia de obstrução da pauta, impedindo a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias, de interesse do governo. Foram dois dias de plenário lotado com professores, houveram momentos de tensão, mas ao final tudo se resolveu. Embora da base do governo, é preciso  reconhecer o valor dos pronunciamentos dos deputados, Sargento Rodrigues e Lisa Prado, que também  manifestaram apoio aos trabalhadores em educação da rede estadual.
No intervalo das sessões
O objetivo foi alcançado, a base do governo se articulou, e com a pressão dos educadores, bem como, dos deputados da oposição , o governo recuou e se reuniu com a comissão de negociação do Sind-UTE. A máscara caiu! Há sim um processo de negociação entre o governo do estado e os trabalhadores em greve. Os resultados da reunião serão apresentados e avaliados na próxima assembleia. 
É preciso ter consciência que nessa conjuntura os educadores não jogam sozinhos. Há uma correlação de forças. O governo também tem suas estratégias e tenta medir forças com a categoria. É necessário que os educadores mantenham-se mobilizados, as escolas paradas e as estratégias de pressão continuem fortes. A mesa de negociações que se abriu, foi uma importante  conquista dos trabalhadores, que se continuarem mobilizados podem estar próximos de alcançarem o objetivo: O Piso Salarial Nacional. 
É importante lembrar,  que a criação de um Piso Salarial Nacional para a educação  foi uma tentativa de valorizar os profissionais do magistério em todo  Brasil e atrair mais jovens para as carreiras do magistério, já que hoje faltam professores de praticamente todas as disciplinas. É também uma forma de investir no sistema público de ensino, sacrificado todos os anos pela escassez de profissionais e pelas excessivas greves, já que os salários normalmente são muito modestos. No caso de Minas, o valor de R$369,00 constitui o pior salário da país para educação. Se o governo de Minas finalmente cumprir a lei e implantar o piso nacional, pode ser um primeiro sinal de dias melhores para o sistema público de ensino. Pode ser a solução para a maior parte dos problemas de alunos e professores. Portanto, não é apenas uma questão de salários, é uma questão de responsabilidade com a educação e com o futuro dos nossos jovens.

Por: Adriano de Paula
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