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"Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis."
Brecht
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Deseducação: Anastasia dirige Minas na contramão

Após heróicos 112 dias de greve em defesa do ensino público, de salários e direitos, os trabalhadores em educação de Minas Gerais, liderados pelo Sind-UTE, estamparam para o país uma triste realidade: o Estado está sendo dirigido na contramão por um governador que desrespeita as mais elementares regras de educação e boa conduta.
Como os cães, bombas e cassetes fartamente utilizados contra os manifestantes evidenciaram, Antonio Anastasia representa hoje a reencarnação tucana de Washington Luís, para quem a questão social era caso de polícia. Em vez de diálogo, porrete. Na versão moderna: sprays de pimenta.
Diante da intransigência, da truculência e da falsidade, uma vez que o governador insiste em descumprir o acordo firmado para a resolução do problema funcional e salarial que pôs fim à greve, nos vemos novamente diante de um impasse. Anastasia não quer negociação, mas capitulação. Anastasia não quer investimentos em educação, mas enganação. Anastasia não quer um Estado público, mas uma administração privatizada – e policial.
As cartas estão na mesa. Há uma disputa de projeto na qual as reivindicações dos trabalhadores em educação se coloca como o principal empecilho para que o atual desgoverno alcance seus objetivos. Acostumado com o aplauso dos marionetes e o silêncio dos que foram cooptados econômica e ideologicamente, se insurge contra quem não dobra a espinha, contra milhares de mulheres e homens, jovens e aposentados, que insistem em honrar sua tradição e história. Vem daí o seu ódio. E o seu medo. Por isso tenta quebrar uma tradição de autonomia e independência que existe desde a criação da União dos Trabalhadores do Ensino (UTE), que hoje é o Sind-UTE, fundado em 1979 à revelia do Estado e do regime ditatorial. Por isso tenta calar a voz do contraditório, como se o cenário construído com base em rios de dinheiro público injetados em campanhas publicitárias nos meios de comunicação reconstruísse a realidade. Ledo engano.
Não há em Minas Gerais uma política para alcançar a qualidade na educação pública, mas de se atentar contra ela. Por isso faz com que a sua mídia foque as câmeras num número insignificante de estabelecimentos de ensino, enquanto desprezam as cerca de quatro mil escolas estaduais.
Utilizando dinheiro do contribuinte, tenta abafar as denúncias do choque de gestão e do déficit zero que quebrou Minas. Ao instituir o regime de subsídio, destrói a carreira dos trabalhadores em educação, se contrapondo mais uma vez a ações que poderiam elevar a qualidade do ensino público com o Piso Salarial Nacional.
O fato é que o governo tucano não honrou o acordo para pôr fim à greve e agora a categoria vai para mais de quatro meses sem salário por conta deste descumprimento. Também os eletricitários, dirigidos pelo Sindieletro-MG, estão realizando manifestações de advertência, diante da enrolação que virou a marca da administração tucana. Sem solução, os problemas permanecem. Não vão desaparecer por conta de anúncios, por mais páginas que ocupem nos jornais, por mais tempo que tomem dos noticiários de rádio e televisão.
Agora, em vez de sentar e negociar, Anastasia retoma e intensifica sua campanha de mídia para tentar desqualificar o Sindicato, vinculando nossa paralisação como greve “política”, subentendida pela perniciosa desinformação como “partidária”. Nada mais falso. A amplitude do nosso movimento expõe o sectarismo do governo, o envolvimento do conjunto dos trabalhadores em educação assinala maturidade, que é fruto do acúmulo de vivências, mas, sobretudo, de sólidos compromissos com a sociedade mineira.
Por isso denunciamos o desinvestimento e a desvalorização do magistério. Por isso levantamos as nossas vozes e expomos o ridículo dos nossos contracheques, a precariedade das nossas escolas, a insegurança, a involução da carreira. Não inventamos nada. Não montamos cenários. Mostramos a realidade como ela é, contando com o inestimável apoio de inúmeros diretores que, agora, por terem ousado desnudar a farsa, também são vítimas de perseguição governamental. Covarde, Anastasia orientou que as superintendências entrem com processo administrativo contra os diretores, na ânsia de quebrar a estrutura organizativa do sindicato. Outra determinação governamental é que todo o material do Sindicato utilizado nas escolas seja recolhido e impedida até mesmo a colocação de comunicados e a realização de reuniões da entidade.
Num arroubo fascista, está pervertendo todas as estruturas do Estado, com tropas de choque no executivo, legislativo e judiciário, incluindo a sua reconhecida versão militar e midiática para aplicar seu programa de desmonte.
Está cavando cada vez mais fundo e o cheiro começa a empestear. O povo mineiro jamais perdoará seus silvérios dos reis.

Por: José Celestino Lourenço 
Fonte: http://www.cut.org.br/ponto-de-vista/artigos/4591/deseducacao-anastasia-dirige-minas-na-contramao


quarta-feira, 10 de agosto de 2011

As soluções de um governador "tampão"

Ao anunciar a contratação de "professores tampões", para substituir temporariamente nas turmas de 3º ano os profissionais que estão em greve, o governo de Minas atestou seu descaso com a educação, seu descompromisso com a juventude e com o ensino público.

Basta um mínimo de senso crítico para saber que se o governo quisesse resolver o problema da greve era tão somente cumprir uma lei federal, e implantar no estado o Piso Salarial Nacional. Essa medida acabaria com a greve em todos os níveis de ensino e traria a normalidade a todas as escolas do estado, não somente no terceiro ano do Ensino Médio.  Ao contrário,  o governador Anastasia prefere  assumir uma postura belicosa e beligerante. Prefere travar uma queda de braço com os professores sem objetivo de acordo, o único objetivo é derrota-los.

Dessa forma, o governo de Minas coloca em risco o ano letivo dos alunos do primeiro ao nono ano do ensino fundamental , bem como, do primeiro ao terceiro ano do ensino médio. É fato, o terceiro ano do ensino médio também está comprometido. Alguém acha que o governo irá encontrar 3 mil professores de uma hora para outra? Além disso, todos sabemos que a maioria das contratações serão de pessoas sem formação específica para lecionar as disciplinas que serão cobradas nos vestibulares e no ENEM.
Não se iludam! O governo mais uma vez passa um verniz na situação. Passa a imagem de normalidade, mas na verdade faz apenas uma maquiagem. O triste é que podem haver pais e alunos aplaudindo isso. Coitados! Mais uma vez vítimas de um governo sorrateiro e enganador.
Ficam alguns questionamentos: e os alunos do primeiro ao nono ano do ensino fundamental? E os alunos do primeiro e segundo ano do ensino médio? Continuarão sem aulas apenas por um capricho do governador? Onde estão os pais que não vão cobrar isso do estado? Onde está a Federação de Pais que cobra o fim da greve, mas não se posicionou quando o estado retirou disciplinas fundamentais da grade curricular do Ensino Médio? Será que a Federação de pais representa apenas o terceiro ano do ensino médio? Porque ninguém ainda falou que o presidente da tal federação de pais sequer tem filhos em escola pública?
Hoje na Assembleia Estadual dos Trabalhadores em Educação, vimos muitos alunos e também pais de alunos pegando o microfone para expressarem seu apoio aos professores em greve. São pessoas conscientes que não deixaram de falar do prejuízo que a greve traz aos alunos, mas que entenderam que o grande algoz da escola pública que compromete o futuro da juventude mineira é o governo de Minas. Isso porque é um governo que desrespeita a educação e aos educadores, trata com descaso o ensino e não resolve um problema fundamental do ensino público, a remuneração do professor.

As "soluções"apresentadas pelo governador, podem no máximo atentar contra essa greve, mas, se não houver solução definitiva os próximos anos serão de greves e mais greves. E aí? Contrataremos tampões todos os anos? Os alunos perderão dois meses de aula todos os anos?
É preciso que a sociedade avalie o que de fato quer para os seus filhos e  para a juventude. Se um futuro certo com bases sólidas, ou apenas tampões, castelos de areia. 

Por: Adriano de Paula

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A realidade do Ensino Médio em Minas Gerais

Os trabalhadores em educação e o Sind-UTE/MG fazem uma denúncia: os problemas da rede estadual de Minas Gerais vão além dos baixos salários enfrentados pelos profissionais da educação. Uma breve análise do Censo Escolar revela uma situação pouco discutida, mas preocupante. Está em curso uma política de diminuição sistemática do funcionamento das escolas estaduais.  Analisando o período de 2005 a 2011, o Censo Escolar aponta um decréscimo do número de escolas estaduais em atividade de 4%.
Além disso, se todos os adolescentes mineiros quisessem estudar no ensino médio ofertado pela rede estadual não haveria vagas. Neste momento há um déficit de 884.470 mil vagas.
A matriz curricular determinada pelo Estado impõe que o aluno tenha que optar a partir do 2º ano por estudar apenas 8 disciplinas em detrimento das 12 disciplinas, privilegiando uma área do conhecimento em detrimento da outra. Além disso, existem pessoas sem formação atuando como professores no ensino médio.
Ocorrem fusões de turma e não é autorizada a contratação de professores, sendo que os professores que compõe a equipe são obrigados a assumir disciplinas sem ter a formação específica.  Como não bastasse, faltam professores de matemática, física e química na rede estadual.
Quando o professor adoece e sai de licença médica, a maioria das vezes ele não é substituído. “Queremos o Governador preocupado com o Enem e com o Ensino Médio durante todo o ano letivo e não apenas durante a nossa greve”, afirma a direção do Sind-UTE/MG.
 Fonte: www.sindutemg.org.br
Acesso em: 08/08/2011

Minas do improviso, é preciso solução

Hoje o portal UAI, destacou a seguinte notícia: " Professor substituto pode ser salvação". A matéria trazia a fala da secretária de educação,  que acusava o sindicato de intransigência nas negociações. Trazia também a fala de alguns pais e alunos reclamando dos prejuízos. Para solucionar o problema a secretária Ana Lúcia Gazzola disse  está estudando judicialmente medidas para minimizar o prejuízo aos alunos.
Algumas questões precisam de reflexão. Primeiro, quando o governo fala em intrasigência do sindicato, não está  ligando o nome a pessoa. Estou acompanhando a greve desde a sua deflagração e o que vi até o momento foi o governo em uma posição extremamente intransigente, dizendo que  não negociaria com grevistas. Em 62 dias de greve apenas duas reuniões de negociações foram feitas, isso após muita pressão da categoria. Mesmo assim, nas reuniões a secretária insistia em dizer que não negociava o Piso Nacional, motivo primeiro da greve, visto que é uma lei federal que Minas  ignora. 
Desta forma,  não há como se falar em intransigência do sindicato, mas em incoerência da secretária. Desde o início, a estratégia do governo em relação a greve foi de ignora-la e não reconhecer como problema Por isso a greve se estendeu tanto. Irresponsabilidade do senhor Anastasia e sua trupe.
A greve prejudica alunos, prejudica também aos professores que estão sem os salários e também farão a reposição aos sábados feriados e férias. Portanto, ninguém está brincando de fazer greve. Se a categoria insiste no movimento, certamente não é para se divertir. Afinal, qual trabalhador vai querer perder seus salários e suas férias?
No que diz respeito a substituição de grevistas, o governo sabe que não pode faze-lo. A lei é clara em dizer que trabalhador em greve não poderá ser substituido. O governo encomendou a matéria no jornal exatamente para tentar maquiar a situação e colocar os pais contra os professores, tenta com isso transferir aos professores uma responsabilidade que exclusiva do governo estadual. Um mínimo de senso crítico porém,   revela que um governo que demora 50 dias para iniciar o diálogo com a categoria em greve, é no mínimo irresponsável. Sem falar que nenhum trabalhador, pai de família pensa em receber um vencimento básico de 369,00 e de 550,00. Porque o professor tem que receber calado? Professor também tem família, não é mesmo? É preciso lembrar-se disso.
Para contratar professor substituto, primeiramente  a greve  precisaria ser declarada ilegal, só aí, talvez, poderia seguir a contratação. Fora isso, nada poderia ser feito. Mais uma manobra desse governo imundo. É preciso estar atento. O governo está pressionado e tenta passar essa pressão para os professores. Os trabalhadores em educação não podem aceitar isso, ou o governo implanta o piso, ou vai ter que arcar com o ônus das escolas paradas.
Lamentamos o fato dos alunos estarem prejudicados em função da paralisia do governador Anastasia. Porém, infelizmente, a greve é  única forma que os educadores tem para tentar sair da miséria que esse governo os impõe. É importante lembrar que estamos falando de trabalhadores com nível superior recebendo vencimentos básicos de R$550,00, quando existe uma lei que proibe tal situação. 
A luta dos professores deveria ser de toda a sociedade, pois uma escola com profissionais na miséria, não tem qualidade, é apenas engôdo, é maquiagem.
O governo fala em contratar substitutos, mas todos sabemos que hoje faltam professores no estado, assim como no Brasil. De onde virão os substitutos? É claro que serão estudantes e talvez,  profissionais de outras áreas que se aventurarão ensinando os filhos da população que depende da escola pública. Será que é isso que os pais querem? "Professores" tampões? "Professores" que não são professores? Será que isso também não prejudica quem vai prestar vestibular? A tal federação de Pais, encabeçada pelo senhor Mário de Assis não vai se manifestar quanto a isso? Acho que não. Até porque a tal federação só aparece em períodos de greve. Se omitiu quando o governo retirou matérias do ensino médio e em outras situações cruciais na vida no nosso alunado. 
Talvez o melhor, mais eficaz e mais simples, fosse o governo sentar com os grevistas e negociar o pagamento do piso, logo, o cumprimento da lei.  Certamente, essa última deveria ser a atitude de um governo que prima pela educação.  Não é o caso do governo de Minas, que mais uma vez mostra como trata a educação e a escola pública: com improviso e com descaso. 
É preciso por fim a greve, mas com soluções para o caos da escola pública e dos salários dos professores. Não com mentiras, manobras e "vernizes". É preciso solução. Sem isso greves acontecerão todos os anos, rotineiramente. Queremos solução, queremos o cumprimento da lei 11.738/08. Queremos o piso salarial nacional da educação.

Por:  Adriano de Paula

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Desrespeito ao trabalhador, ao cidadão e a democracia

Maus exemplos na política não  faltam no Brasil, infelizmente. A cada dia engrossam as fileiras dos políticos que viram notícias por casos de corrupção, por omissão as demandas sociais e pelo seu mau comportamento como homens públicos. 
No caso de Minas Gerais, específicamente da ALMG, não tem sido diferente. Já a algum tempo temos nos deparado com um legislativo omisso, subserviente e descomprometido com as causas imediatas da população mineira. Exceções existem, é claro, mas infelizmente são cada vez mais  raras exceções. 
As Casas Legislativas deveriam ser, por definição, um espaço onde a participação e a presença da população fosse incentivada, e não somente tolerada. Não é o que vemos na ALMG, onde todas as vezes que as galerias são ocupadas pelos cidadãos, fica nítido o desconforto e até mesmo a intolerância de grande parte dos deputados. Diante das cobranças feitas aos ditos "representantes do povo", a reação é a pior possível, da indiferença de alguns até agressões verbais, com palavras de baixo calão, feitas pelos "senhores de terno e gravata".  
No dia 29 de junho, os trabalhadores em educação participavam de uma Audiência Pública na ALMG que discutia a dívida de Minas com a União. Na ocasião, o deputado Zé Maia (PSDB) presidia a comissão e incansavelmente disparou contra os presentes, chamando-os de desiquilibrados e sugerindo inclusive que os educadores haviam usado substâncias ilícitas. O deputado fez questão de salientar que podia falar  por que tinha imunidade parlamentar. Outro exemplo do desrespeito dos deputados, fantoches do governo de Minas, foi o episódio esdrúxulo do deputado Jairo Lessa (DEM), de cima do plenário mandando um professor tomar em "lugares indevidos", esse episódio ocorreu no dia 13 de Julho no plenário da Casa e foi presenciado por mais de 300 educadores e dos deputados que participavam da sessão. 
Mas parece que o deputado Antônio Genaro (PSC) não queria ficar para trás, e também somou-se aos que descaradamente desrespeitam os cidadãos mineiros. Questionado sobre o fato de nunca se posicionar a favor dos trabalhadores, e pela sua nítida ausência nas discussões na ALMG, o deputado e também Pastor Presidente da Igreja do Evangelho Quadrangular em MG, destilou o seu veneno. Genaro desdenhou dos professores dizendo que faria um teste para saber se quem ocupava as galerias eram mesmo professores. O "pastor deputado", ou "deputado pastor", enfim, Genaro leu meia dúzia de palavras de "um português arcaico e clássico", segundo o próprio, e ao final concluiu que se os professores nada entenderam é porque são analfabetos. Leia aqui a fala do deputado
Fica a pergunta, será que Genaro também fala um português obscuro no momento de recolher os dízimos? Como membro da sua igreja que fui por mais de 20 anos, afirmo que não. Gostaria de entender a lógica de um pastor, de uma igreja que atende a inúmeras comunidades carentes, em não defender a valorização de profissionais que lidam diariamente com o futuro das crianças dessas comunidades. Pior, os agride e os desrespeita.
No ano passado, um grupo de professores compareceu por diversas vezes ao gabinete do deputado, buscando apoio e diálogo para tentar por fim a uma greve que se estendia por mais de 40 dias, o deputado nunca foi encontrado. Me pergunto incessantemente: onde estão os projetos apresentados por Genaro em mais de 20 anos como deputado estadual? Ninguém sabe. Dos poucos que existem, sejamos sinceros e passemos avaliar a relevância desses projetos. É escandaloso saber que alguém que a mais de 20 anos ocupa um gabinete na ALMG, é notado apenas pela sua má conduta, desrespeito e deserviço a população mineira. Alguém que  não soma, não faz a diferença, que é apenas mais um.
Talvez Antônio Genaro esteja mais preocupado em preparar seus sermões vazios. Digo vazios porque é sabido de todos que, de nada adianta toda a sabedoria do mundo, toda a beleza das palavras se a prática nos condena.

Por: Adriano de Paula

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A paralisia do governo Anastasia

 Um dos significados do termo Paralisia é  marasmo, ou, incapacidade de operar. Se trouxermos o termo para o campo da política e do serviço público, poderemos claramente perceber a real situação do governador Antônio Anastasia. Desde que assumiu o  governo de Minas Gerais, o excelentíssimo governador esqueceu-se de governar. Assumiu o governo, mas, ao que tudo indica a única função que  parece ter assumido de fato, foi a de cabo eleitoral, fora de tempo diga-se de passagem, do então senador Aécio Neves. 
Minas Gerais, hoje é um estado que não tem governo. Aos que pensam que isso é conversa fiada, basta observar a situação do serviço público estadual. Hoje, Minas tem pelo menos quatro categorias em greve, saúde, educação, segurança (polícia civil) e o Ipsemg. Além desses, outros setores já articulam movimentos grevistas como é o caso dos servidores da Cidade Administrativa (Aéciolândia, ou Faraécio como preferem alguns), e os trabalhadores da Cemig. Bendito seja o choque de gestão! 
A greve da polícia civil já ultrapassa os 40 dias e a educação entra hoje no 30º dia de paralisação. Enquanto o caos se instala o senhor governador permanece em seu estado de paralisia, de marasmo frente aos desafios do estado de Minas. 
A situação é grave e merece muita reflexão. Mas, para não dizer que o governador está de tudo parado, podemos apontar algumas ações do senhor Anastasia. Enfim, em caráter de exemplo, vamos citar a nomeação  do ex senador pelo estado do AMAPÁ, Papaléo Paes,  para o conselho administrativo da Gasmig. Isso mesmo, o médico cardiologista que reside a cerca de 3,5 mil quilômetros de distância de Minas Gerais irá receber mais de 6 mil reais para dar conselhos administrativos na companhia. Papaléo é o único conselheiro que resisde fora do estado, é também o único médico, os demais conselheiros são economistas, administradores, engenheiros e advogados. Mas não para por aí, o governador tem trabalhado muito. Além de Papaléo, o (des)governador Anastasia também nomeou o ex prefeito de Cuiabá (o mesmo que se arrepia quando fala o nome do Aécio, fala do próprio indivíduo) para  conselheiro de uma empresa de energia controlada pela Cemig, a Taesa Energia.
O fato é, com tanto trabalho até 2014, o senhor "Anastécio" realmente não deve ter tempo para essas bobagens de saúde, educação e segurança pública. Como pensar nas necessidades da sociedade mineira quando se têm um presidente a ser eleito? Será?
Como  observamos, a paralisia do governo de Minas é uma paralisia de conveniência. O governo é inoperante quanto às necessidades da população, mas é muito eficiente em atender os desejos do  seu "mentor", custe o que custar. Aparelhamento do estado?
Enquanto o Senhor Anastasia está preocupado em eleger Aécio Neves, milhares de alunos estão sem aula. Milhares de professores recebem menos que um salário mínimo como vencimento básico. A população mineira sofre com os altos índices de violência, pela falta de investimento em educação e pela falta de estrutura nas delegacias e da polícia civil. Não vou falar da situação dos hospitais públicos que é para não ser dramático demais. Precisa? E o Instituto de Previdência do Estado? O sucateamento do Ipsemg o impede de atender, mínimamente, os servidores que o mantém.
Até quando senhor Anastasia? Até quando Minas ficará em segundo plano? Até quando uma das principais economias do país, Minas Gerais, terá que se dobrar a um projeto eleitoreiro, enquanto a população é alijada dos serviços básicos a que deveria ter direito? 
Pela sua história e grandeza, o estado de Minas Gerais não merece tamanho desgoverno. Já é hora de sair desse estado de inércia . É hora de governar.

Por: Adriano de Paula

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Governo de Minas, uma democracia às avessas

O Governador Antônio Anastasia ao ser eleito disse que o seu governo seria marcado pelos princípios republicanos. Não é o que temos visto. O governo de Minas tem agido com truculência e por diversas vezes empenhado todo o seu aparato no sentindo de criminalizar e reprimir toda e qualquer manifestação popular que questione o seu governo. A tônica do governador não é a do diálogo, não me lembro de uma única vez que o governador Anastasia tenha recebido algum representante do povo para discutir alguma demanda. Claro, não considero aqui o grupo de deputados da ALMG que em tese seriam esses representantes, mas na prática são os algozes do povo. Que o diga o deputado Zé Maia (PSDB), que na última quarta feira, dia 29/06, teve a infelicidade de se referir aos mais de 500 educadores mineiros presentes na ALMG, como desequilibrados. Insinuando ainda,  que os educadores   haviam utilizado substância ilícitas. Tais agressões morais aos  professores ocorreram porque o deputado não teve sensibilidade suficiente para entender uma
 manifestação legítima daqueles que foram e continuam sendo as grandes vítimas das manobras contábeis do governo mineiro, o tal, choque de gestão.
Ontem, dia 02 de julho, mais uma vez o governador Anastasia mostrou-se intolerante. Atacou a democracia, princípio basilar do espírito republicano.Um grupo de educadores se deslocou para a cidade de Rio Espera onde o governador e a secretária de educação Ana Lúcia Gazzola participaram da cerimônia de inauguração de uma escola. Quando os educadores já estavam para adentrar a cidade uma supresa, os ônibus foram impedidos de entrar na cidade, não é a primeira vez que professores vêm negado o seu direito de ir e vir. Apenas um ônibus conseguiu passar pelo bloqueio da PM,  mesmo assim, os educadores não foram autorizados a entrar na escola onde acontecia a cerimônia (que era "aberta" ao público). Dezenas de policiais formaram um cordão de isolamento impedindo que os educadores entrassem na escola, isso mesmo, os professores foram "barrados no baile" da educação. Como disposição é o que não falta a essa categoria, os educadores começaram a entoar palavras de ordem e a denunciar o descaso do governo Anastasia com a educação. Os moradores da  pequena cidade de Rio Espera rapidamente encheram as ruas e as calçadas para assistirem a manifestação dos educadores. 
Na saída do governador, mais repressão. Os policiais avançaram sobre os manifestantes de forma truculenta, um professor foi detido e levado para a delegacia de Conselheiro Lafaiete. Um tumulto generalizado se instalou na pacata cidade, os professores saíam pelas ruas abarrotadas de policiais. Nas palavras de uma moradora de Rio Espera, percebemos o seu espanto: "meu Deus! Nunca vi tanta polícia. Olha moço, essa cidade nem  tem polícia direito viu, não sei para que tanto...". A jovem senhora não sabia a razão de tantos policiais, mas os professores com certeza, acostumados a serem tratados com tanto desrespeito e como marginais pelo governo do estado, não esperavam menos desse governo truculento e fora da lei.
Por fim, aos professores ficou tristeza, de mais uma vez, vivenciarem a tirania do governo de Minas. Porém, ficou também o regozijo de saber que frustraram os planos do "cerimonial" do governador. A comitiva do governo havia programado uma carreata e um almoço na cidade, nenhuma das atividades pode ser realizada. Vitória dos trabalhadores! 
Para a sociedade mineira fica a expectativa de que nas terras das Gerais, um dia finalmente, se possa  viver uma democracia de fato e de direito. Que os princípios republicanos não estejam presentes apenas nos discursos, mas que sejam exercidos na sua plenitude.

Por: Adriano de Paula
 
Repercussão no noticiário local: http://migre.me/5axMT
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